segunda-feira, 27 de julho de 2009

Links com textos sobre meu trabalho

Mulher em negro. Desenho da série Ovos. Grafite, aquarela e nanquim sobre papel.

Olá
Abaixo dois links com textos interessantes que abordam algumas características do meu trabalho. Para os que curtem, bom proveito!

Rosana

O texto da pesquisadora Dária Jaremtchuké bastante interessante ao tratar de açoes políticas na arte contemporânea brasileira, algo que penso estar em falta. Acesse http://www.concinnitas.uerj.br/arquivo/revista10.htm e bom proveito.

Outro link interessante é o que traz o texto da pesquisadora Joedy Bamonte, e este um "especial" muito legal sobre o meu trabalho (gostei muito). Ir para http://www.anpap.org.br/2008/artigos/028.pdf

Textos de minha autoria

Olá a todos,

Algumas pessoas tem perguntado sobre textos sobre o meu trabalho. Na realidade, havia prometido postar alguma coisa sobre isto.

Estou negociando com algumas pessoas para colocar seus textos sobre meu trabalho. Em alguns casos irei colocar links de textos interessantes sobre ele. Além disso, irei colocar alguns dos meus escritos, e começo com os textos abaixo.

Espero que apreciem.

Rosana



A RESPEITO DOS TRABALHOS EXPOSTOS
Este texto foi produzido para o catálogo do Panorama 97 – MAM SP, sobre, dentre outros, o trabalho abaixo.


Imagem da série Bastidores. Imagem transferida sobre tecido, bastidor e linha de costura. 30cm diametro. 1997.


Sempre pensei em arte como um sistema que devesse ser sincero. Para mim, a arte deve servir às necessidades profundas de quem a produz, senão corre o risco de tornar-se superficial. O artista deve sempre trabalhar com as coisas que o tocam profundamente. Se lhe toca o azul, trabalhe, pois, com o azul. Se lhe tocam os problemas relacionados com a sua condição no mundo, trabalhe então com esses problemas.

No meu caso, tocaram-me sempre as questões referentes à minha condição de mulher e negra. Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito de preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão.

Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. Utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurado, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição no mundo.

Apropriar-me do que é recusado e malvisto. Cabelos. Cabelo “ruim”, “pixaim”, “duro”. Cabelo que dá nó. Cabelos longe da maciez da seda, longe do brilho dos comerciais de shampoo. Cabelos de negra. Cabelos vistos aqui como elementos classificatórios, que distinguem entre o bom e o ruim, o bonito e o feio.

Pensar em minha condição no mundo por intermédio de meu trabalho. Pensar sobre as questões de ser mulher, sobre as questões da minha origem, gravadas na cor da minha pele, na forma dos meus cabelos. Gritar, mesmo que por outras bocas estampadas no tecido ou outros nomes na parede. Este tem sido meu fazer, meu desafio, minha busca.



Rosana Paulino, 1997

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A LENDA DA PEMBA

Pois é, estou estreando como ilustradora de livros infantis, junto com minha parceira Márcia Silva. Em breve colocaremos, como educadoras, algumas dicas sobre como utilizar melhor o livro e o material nele contido.

O legal é que se trata de uma lenda importante, que conta um pouco da Pemba, material sagrado nas religiões de matriz afro-brasileira. Então, é aproveitar a leitura.

Rosana

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Convite


A SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO DE CARAPICUIBA CONVIDA PARA O COQUETEL DE LANÇAMENTO DO LIVRO

A LENDA DA PEMBA


de MÁRCIA SILVA
com ILUSTRAÇÕES DE ROSANA PAULINO






25 de julho, as 19:00 hs. Local: Sede da Secretaria. Praça da Aldeia, 19, Carapicuíba

Maiores informações: Sílvia Domingues (11 4186 0687/0821)
secult@carapicuiba.sp.gov.br



mapa para chegar ao local:





quarta-feira, 29 de abril de 2009

Roots & More: Afrika Museum

Caros,
Estou participando da exposição Roots & More: The Journey of the Spirits, no Afrika Museum, em Berg en Dau, Holanda.
Vale a pena dar uma passada no site da exposição, que explora o legado espiritual das Áfricas trabalhado por artistas da diáspora negra em suas produções contemporâneas. Entre os participantes além de mim Rosana estão, entre outros, Belkis Ayón, José Bedia, Maria Magdalena Campos-Pons (Cuba), Félix Farfan e Eneida Sanches (

Brasil), Pascale Monnin, Edouard Duval Carrié e Stivenson Magloire (Haiti), Sokari Douglas Camp (Nigéria) e Alison Saar (E.U.A), além das fantásticas esculturas da sociedade secereta Bizango, do Haiti. A curadoria - muito bem executada, aliás - é de Wouter Welling, estudioso holandês sobre o assunto, curador e professor.
O site para o tour virtual é: http://www.afrikamuseum.nl/ . Infelizmente, apenas parte da documentação sobre a mostra e os artistas esta em inglês. O restante aparece em holandês, mas como artista visual acredito que as imagens falem por si próprias.
Apareçam no site. Vcs vão gostar.
Abaixo estão algumas imagens da abertura da mostra e da exposição.






As Duas primeiras imagens são do trabalho "Soldados" em inglês "Soldiers" como aparecem na montagem na exposição. A segunda é a visão parcial da "Ama de leite" na expo. As duas outras imagens são de Wouter Welling, curador da mostra, entrando no espaço expositivo que recebeu bênção especial da sacerdotisa e poetisa Maria Van Daalen e da cerimônia de abertura. Maria é sacerdotisa do culto "Mambo", uma variante do culto vodoo. O Mambo é muito parecido com a Umbanda brasileira. Esqueçam, portanto, as histórias de zumbis e outras bobagens de filmes americanos de terror da década de 50. O Mambo, tal como o vodoo, são religiões sérias da mesma linhagem das religiões surgidas com a diáspora negra, e merece todo respeito e atenção.