quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais da próxima Expo

Olá a todos,

Como prometi, segue abaixo mais detalhes da próxima exposição, sendo o texto da dita, de minha autoria, e uma monotipia sobre papel, para dar água na boca e forçar vcs a comparecerem rs...rs...rs...

Tem também as monotipias sobre tecido, mas para estas vcs terão que ir para ver.

Bj grande,

Rosana



No país das maravilhas
Monotipia colorida sobre papel - 53,5 x 39,5 cm - 2010
                                                            
    
TECIDO SOCIAL

Tecido social. O avesso que não se vê, as bordas da cidade e da sociedade. A costura que deveria estar no avesso, invisível, é trazida para a frente, para o primeiro plano, demonstrando a tentativa de se criar uma sociedade feita de retalhos opostos onde, de uma maneira que poderíamos chamar de “Franksteiniana” costuram-se partes antagônicas, díspares, de um mesmo corpo social comum, tentando fazer com que realidades socioculturais extremamente distintas convivam harmonicamente em um mesmo espaço, convivência esta buscada não pelo ato de ouvir e interagir com o outro, mas pela supressão dos direitos e pela cegueira diante do desafio.

Dentro desta perspectiva, individualidade e coletividade se chocam de modo que todos perdem. Cultura “erudita” e cultura “popular”, alto e baixo, o tecnológico e o primitivo, exclusão e inclusão, todos os paradoxos de uma grande metrópole costurados, trazendo aquilo que se pretende esconder, que se finge não ver, ao olhar público.

Ao grande pano somam-se as gravuras da série Das Sombras: Segundo Ato, repetindo elementos que estão presentes no tecido coletivo, desta vez individualizando pequenos dramas que ocorrem no dia-a-dia da cidade. Mágicas que parecem manipular nossas carências, nossas faltas. Coelhos tirados das cartolas da publicidade, do sonho de “chegar lá” (chegar onde????) e que vão minando aos poucos o sentido mais amplo do que poderia ser uma vida em sociedade, onde todos tenderiam mais a ganhar que a perder. Sombras nas paredes, retiradas de um antigo manual de entretenimento, são colocadas agora sob nova perspectiva ganhando em ironia o que perderam em inocência e pureza.

São também retiradas da grande caixa de Pandora contemporânea, a internet, as imagens que deram origem ao “Power-point/vídeo jurássico” que acompanha a mostra. Jurássico porque tecnologia que hoje muitas crianças dominam, ancestral dentro do universo dos computadores atuais, mas ainda assim tecnologia, pois requer um aparato minimamente digital para ser feito. Tecnologia paradoxal, antiga e contemporânea ao mesmo tempo. O ultra plus da técnica convivendo com a mais remota desigualdade. Paradoxos presentes em um país que nos permite ver Zóio, 24 anos, bolsos cheios de pens 64 gigas fugindo da polícia na 25 de março. Zóio: semi-analfabeto. Pen drive 64 gigas: cabe uma biblioteca dentro.

E assim vamos levando....

Rosana Paulino, abril de 2010




Um comentário:

Joice disse...

Olá Rosana, sou professora de arte, estava pesquisando sobre a copa do mundo e cheguei até um documentário no site nova escola... achei incrível a instalação "o baile" e pesquisando cheguei até este site... achei incrível o pouco que conheci sobre seu trabalho! Espero conhecer mais!!! Parabéns!
Abraço!
Joice